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Tudo Por Você / Paula Pimenta

TUDO POR VOCÊ

Paula Pimenta

Direitos Autorais

Este texto foi escrito especialmente para as escolas participantes do Projeto Conexões Teatro Jovem e fez parte do seu portfólio no ano de 2013.
Qualquer montagem fora do Projeto deverá ser negociada com o autor ou seus agentes sobre os direitos autorais.

Paula Pimenta fazendomeufilme@gmail.com

Personagens

Luiza

Ana

Duda

Laura

Renata

Eduardo

João Pedro

Lucas

Davi

Professora de matemática

Alunos

Pai da Luiza

Mãe da Luiza

Assaltante

Policial

Cenário

Escola, casa de João Pedro e Shopping

Cena 1

Sala de aula.

O sinal da última aula ainda não bateu, vários alunos estão em pé, conversando. O barulho é bem alto. Luiza está escrevendo no caderno, alheia à movimentação dos colegas. Ana entra na sala e vai direto se sentar, atrás de Luiza.

Ana – Escrevendo poesias de novo, Lu? Acordou inspirada? Aposto que é porque o Dia dos Namorados está chegando...

Luiza (fechando depressa o caderno) – É só a redação de português. Não deu tempo de terminar ontem porque tive que sair com a minha mãe.

Ana – Sei. Uma redação cheia de rimas... Não precisa ter vergonha, Luiza! Eu sei perfeitamente que você tem essa veia poética e devia se orgulhar disso! Só não me conformo por você não escrever sobre alguém real e sim sobre um príncipe encantado que acha que algum dia vai aparecer na sua vida...

Luiza – O que é isso, você anda bisbilhotando os meus cadernos agora?

Ana – Desculpa... Foi sem querer. Eu vi os seus poemas no dia que você me emprestou as anotações de Geografia. Pensei que era algo da matéria e só quando li é que percebi que o assunto era outro...

Luiza - E por que não virou a página? Sua mãe não te ensinou que é falta de educação ler a correspondência de qualquer pessoa sem ela saber?

Ana – Em primeiro lugar, não era uma correspondência. E em segundo, você não é qualquer pessoa. É a minha melhor amiga! Puxa, Lu, eu conto tudo pra você! Nunca imaginei que guardaria um segredo de mim!

Luiza se cala por um tempo e vira pra frente. Pouco depois ela vira pra trás novamente.

Luiza – Desculpa. É que eu tenho vergonha. Acho que escrevo muito mal.

Ana – Você escreve bem demais! Só falta arrumar um “muso-inspirador”, para as poesias começarem a ser direcionadas para alguém. Por falar nisso, sabe quem eu acho que está a fim de você?

O sinal bate e a professora entra na sala.

Professora de matemática – Atenção, silêncio! Que agitação é essa tão cedo assim? Sei que é sexta-feira, mas vocês precisam se concentrar nas aulas! Esqueceram que amanhã é sábado letivo e que tem prova? Aliás, se eu ouvir mais um pio, vou aplicar a prova hoje mesmo!

Ana (sussurrando) – Melhor eu te contar no recreio...

As duas abrem os cadernos para copiar a matéria que a professora já começou a passar no quadro e nesse momento um aluno que está na última fileira cutuca o colega do lado.

Lucas - Vai um babador aí, João Pedro? Pode parar de suspirar, a Luiza já virou pra frente. A não ser que você queira ficar admirando as costas dela...

João Pedro – Não enche!

A professora escuta e se aproxima dos garotos.

Professora de matemática – Pelo visto vocês estão realmente querendo fazer a prova agora... Ou será que devo mandá-los pra sala da diretora?

Davi (sentado atrás de Lucas) – Manda pra sala da diretora, professora. É muita injustiça a sala inteira ter que pagar por causa da desobediência de apenas duas pessoas.

Lucas – Poxa, valeu! Com um amigo como você, quem precisa de inimigos?

Professora de matemática – Agora já chega! Lucas quero que você se sente naquela carteira vazia lá na primeira fileira. E você, João Pedro, troque de lugar com... (ela olha em volta) a Ana.

Ana – Comigo? Mas o que eu fiz?

Professora de matemática – Por enquanto, nada! Mas sei muito bem como você é tagarela. E eu preciso terminar a matéria da prova! Andem depressa, vamos!

Movimentação da sala com a troca de lugares. Lucas vai pra frente, Ana pra trás e João Pedro se senta timidamente atrás de Luiza.

Professora de matemática – Muito bem. Agora é sério. Se eu ouvir mais uma palavra, que não seja relacionada à matéria, vou dar mesmo a prova hoje, pra sala inteira! Portanto, ou prestam atenção ou vão ter que enfrentar a fúria dos colegas depois!

A sala fica quieta por um tempo, enquanto a professora escreve no quadro. João Pedro cheira o ar perto do cabelo de Luiza, de olhos fechados, Lucas vê e balança a cabeça, desaprovando. Lá de trás, Ana também vê e começa a escrever em um papel. Ela o entrega para Davi, que lê e faz cara de espantado. Alguém bate na porta. A professora sai por um momento e logo volta.

Professora de matemática – Atenção, todos os professores foram chamados na direção. Não vou demorar. E se eu escutar algum barulho quando voltar, já sabem!

Ela sai da sala. No segundo seguinte todos começam a conversar.

Davi (para Ana, balançando o bilhete) – Não tem nada disso! O João Pedro não gosta da Luiza. Quer dizer, não do jeito que você está pensando!

Ana – Então por que ele está com aquela cara de pateta olhando pro cabelo dela?

Duda (sentada ao lado de Davi) – Desculpa intrometer, mas com certeza o João não está a fim daquela exibida da Luiza. Ele só está olhando pro cabelo dela porque está na frente dele!

Ana – Alguém te perguntou alguma coisa?

Davi – Ih, olha a briga...

Lucas (se aproximando) – Quem está brigando?

Davi – Ficou louco? Se a professora volta e te vê aqui, vai dar a maior confusão!

Lucas – Só vim pegar o apontador que deixei na minha mochila.

Duda – Ótimo, assim você pode confirmar pra Ana que o João Pedro não gosta da Luiza.

Lucas – Como não? O João Pedro é apaixonado pela Luiza. Olha lá a cara dele de pateta, só faltando beijar o cabelo dela.

Ana ri e Duda fecha a cara.

Davi (para Lucas) – O João vai te matar por você ter revelado o segredo dele...

Lucas – Grande segredo... Qualquer pessoa que enxergue bem já viu isso há muito tempo.

Ana (para Duda) – Tá precisando de óculos, querida...

Duda – Cala a boca!

Davi – Não comecem de novo...

A professora volta nesse momento e Lucas corre para a frente. Ela o olha meio brava, mas ele mostra o apontador e se senta depressa.

Professora de matemática – Atenção, mudança de planos. Infelizmente, não vou poder fazer a revisão da matéria, pois todos os professores do 9º ano terão uma reunião agora com a direção da escola. Portanto, vocês podem ir para o pátio ou ficar aqui na sala estudando. Mas lembrem-se que vocês tem prova amanhã! Estudem bastante porque eu vou caprichar nas perguntas!

Todos os alunos se levantam depressa e saem da sala, comemorando o término antecipado da aula.

Cena 2

Casa de João Pedro

Lucas, Davi e João Pedro estão jogando videogame.

João Pedro – Ganhei de novo!

Lucas – Você sabe o que dizem por aí...

Davi – Sorte no jogo, azar no amor?

Lucas – Exatamente!

João Pedro (enigmático) – Não acho que eu tenha tanto azar assim...

Lucas – Ah, claro. Porque a Luiza está louca por você, né...

João Pedro – E por que não?

Davi – Se liga, cara! A garota nem deve saber o seu nome! Ela não dá um olhar em sua direção!

Lucas – E você, em vez de aproveitar que o destino, disfarçado de professora de matemática, te colocou pertinho dela, não fez nada, ficou lá cheirando o cabelo da menina em vez de inventar uma desculpa qualquer pra puxar assunto!

João Pedro – Tem aroma de flor de laranjeira...

Davi – Você dá bandeira demais... Aquela amiga dela, a Ana, já sacou tudo. Aliás, acho que a sala inteira sabe!

João Pedro – Você contou?

Lucas – Ninguém precisou contar! Qualquer um vê isso. Você só falta babar quando ela passa e até suspira quando ela entra na sala. João, sério mesmo, por que você não para com esse amor platônico e chega nela?

Davi – É, leva logo um fora pra esquecer de vez!

João Pedro (se levantando) – Parem de me encher a paciência! Vocês não sabem de nada e ficam falando bobagem! Eu sei que ela gosta de mim e isso que importa. Agora chega desse papo! Eu tenho que estudar, e acho que vocês deviam ir pra casa de vocês e fazer o mesmo!

Davi – Mas a gente não ia estudar junto?

Lucas (se encaminhando pra porta) – Ih, ficou irritadinho! Vou sair fora mesmo, isso é que dá querer ajudar!

Davi – Espera que eu vou também! Se eu ficar aqui é capaz do João Pedro fazer uma lavagem cerebral em mim e amanhã vou acabar escrevendo “Luiza” em todas as respostas da prova!

Os dois saem, João Pedro fecha a porta. Em seguida ele desliga a televisão e vai para o quarto.

Cena 3

Quarto de João Pedro

João Pedro pega a mochila em um canto, abre um caderno em uma página e tira um bilhete amassado.

João Pedro (falando sozinho) – Aqueles caras não sabem de nada. Se ao menos imaginassem o que eu recebi...

Ele desdobra o papel, sorri , lê e suspira. De repente, uma batida na porta o assusta. Laura entra.

Laura – Ué, você está sozinho? Os meninos não estavam aqui em casa?

João Pedro (tentando dobrar o bilhete depressa) – Quantas vezes já te falei que não é pra entrar no meu quarto sem ser convidada, Laura?

Laura – Mas eu bati! E eu sou sua irmã mais velha, não venha dizer o que eu posso ou não fazer. O que você está escondendo aí?

João Pedro – Nada!

Laura (fazendo cosquinhas no irmão) – Nada?

João Pedro – Para! Para!

Laura – Peguei!

João Pedro – Isso é invasão de privacidade!

Laura (lendo) – “Você é o cara mais gato do colégio! Sou louca por você... Será que eu tenho chance?” Uau! Quer dizer que meu irmãozinho arrumou uma fã? Quem é a maluca?

João Pedro – Não sei. Quer dizer, eu acho que sei... mas não tenho certeza. E ela não é maluca!

Laura – Então liga pra ela! Pra essa garota que você acha que é. Pra tirar a dúvida!

João Pedro – Ficou doida? Não posso ligar pra menina e perguntar se ela me mandou uma declaração de amor anônima! Se não for ela, vai achar que eu sou muito convencido por pensar que ela faria algo assim!

Laura – Bom, essa garota aí do bilhete deve ser tímida... Senão teria se declarado ao vivo e não por um bilhete... e sem assinar ainda por cima!

João Pedro – A Luiza é tímida...

Laura – Luiza? Esse é o nome dela? Então você vai ter que se aproximar da Luiza e mostrar que também gosta dela, só assim ela vai ter coragem de confessar. Porque, pela sua cara, você também está louco por essa menina!

João Pedro – Eu não consigo! Tive a chance de conversar com ela hoje, mas se eu falasse alguma coisa, a sala inteira iria escutar e ficar olhando...

Laura – Então ainda bem que você não falou, porque se ela é tímida mesmo, com certeza ficaria sem graça também. Você vai ter que fazer isso fora da escola. Fique por perto e escute a conversa dela com uma amiga, pra descobrir algum lugar aonde ela planeja ir ou costuma frequentar... Tipo um bar, um clube... E aí, vá ao local, mas deixe parecer que foi coincidência. Aposto que em um ambiente diferente vai ser bem mais fácil de vocês conversarem...

João Pedro – Laura, você é uma gênia!

Laura – Eu sei! Só espero que você se lembre disso da próxima vez que reclamar por eu entrar no seu quarto! Agora, que tal me ajudar a lavar a louça?

João Pedro faz cara feia, mas sai atrás da irmã.

Cena 4

Shopping

Luiza – Não tinha outro dia pra você vir ao shopping, Ana? Hoje está lotado, por causa do Dia dos Namorados na semana que vem! E a gente tem prova amanhã! Eu ainda preciso de uns cinco pontos pra passar em Matemática!

Ana – É rapidinho, eu até já experimentei o vestido, você vai ver que lindo! É que só hoje o meu pai me deu dinheiro e eu estou com medo de acabar no estoque, exatamente por causa do Dia dos Namorados! Além do mais, estamos a cinco minutos da minha casa, logo estaremos lá estudando!

Luiza – Só espero que você não invente de experimentar mais roupa nenhuma...

Ana – Prometo que só vou pegar o vestido e ir embora. Ei, sabe o que eu lembrei agora? Acabou que eu não te contei lá na sala, sobre o garoto que eu descobri que está a fim de você!

Luiza – Lá vem...

Ana – Ai, Lu, você não está nem um pouco curiosa?

Luiza – Eu não! Não tem ninguém da sala que me interessa.

Ana – Luiza... Já te falei mil vezes! Esse príncipe encantado que você espera, para quem escreve poesias, só existe nos seus sonhos! Desse jeito você nunca vai ter namorado nenhum! Não acha que vale a pena dar uma chance para um garoto real?

Luiza para em frente a uma vitrine e fica olhando para dentro da loja, hipnotizada.

Ana – Hello? Terra fazendo contato com Luiza...

Luiza – É ele.

Ana – Como você sabia? É ele mesmo! É o vestido que eu gostei- esse da vitrine!

Luiza – Vestido?

Eduardo, um vendedor, aparece na porta da loja.

Eduardo – Olá, garotas! Posso ajudar?

Ana – Oi... Eu experimentei esse vestido da vitrine na semana passada e vim buscar. A vendedora que me atendeu se chama Renata.

Eduardo – Ah, hoje a Rê está de folga. Mas eu posso ajudar vocês. Quer experimentar de novo?

Ana – Não precisa, é que a gente está com um pouco de pressa...

Luiza (cortando) – Ela quer, sim! Ela quer me mostrar pra eu ver como fica no corpo. Aliás, acho que vou experimentar um também...

Ana (para Luiza) – Você vai o quê?

Luiza (para Eduardo) – Tem outros modelos? Vou aproveitar e olhar vários... Parece que tem tanta coisa bonita nessa loja!

Eduardo sorri e se distancia para pegar as roupas.

Ana – Ficou doida, Luiza?

Luiza (sussurrando) – É ele, Ana.

Ana – Ele quem?!

Luiza – O garoto das minhas poesias! Aquele por quem eu esperei a vida inteira!

Ana – Mas você acabou de conhecê-lo!

Luiza – Eu sabia que ia ser amor à primeira vista... Eu tinha certeza de que o reconheceria no momento em que o avistasse!

Ana – Mas esse cara não tem nada a ver com você! Ele é alto, parece mais velho, tem pinta de modelo...

Luiza – E daí? Eu não posso namorar um modelo? Olha, ele está voltando! Shhh!

Eduardo (para Ana) – Olha, aqui está o vestido da vitrine.

Ana – Obrigada!

Eduardo (para Luiza) – E aqui estão alguns outros que eu acho que combinam com você e que vão te deixar linda. Quero dizer, linda você já é, mas esses vestidos vão realçar ainda mais a sua beleza. O que você acha? Gosta de algum?

Luiza (olhando para o rosto de Eduardo) – Maravilhoso...

Ana – Qual dos vestidos, Luiza?

Luiza (acordando) – Ah! Todos!

Eduardo – Eu sabia que você ia gostar! Toma. O provador fica ali atrás. Meu nome é Eduardo. Se precisar de alguma coisa, é só me chamar.

Luiza – Eduardo...

Ana – Vem, Luiza!

As duas entram em um provador, enquanto Eduardo fica dobrando algumas roupas.

Cena 5

Provador

Ana – Definitivamente, você pirou! Se for experimentar todas essas roupas, não vamos sair daqui antes do shopping fechar! Têm uns 20 vestidos na sua mão!

Luiza – Vou querer todos! Você não viu o que ele disse? Que eu vou ficar bonita com eles?

Ana – Todo vendedor fala isso! E eu sei perfeitamente que você não tem dinheiro pra comprar nem um!

Luiza – Eu dou um jeito! Volto amanhã! Ou... você pode me emprestar!

Ana – Luiza, cai na real! Eu tenho o dinheiro contado pra esse vestido aqui! E tive que implorar pro meu pai me dar de presente, e ele já avisou que é de aniversário e Natal junto!

Luiza - Eu vou dar um jeito!

Eduardo (de fora) – E então, meninas? Se precisarem de outra numeração, é só me avisar que eu pego pra vocês!

Luiza – Está tudo bem, obrigada! Só estou terminando de experimentar!

Eduardo – Fiquem à vontade.

Ana – Então pelo menos experimenta mesmo, né?

Luiza – Tive uma ideia. Vamos sair daqui.

Ana – Mas você não provou nada!

Luiza sai do provador e Ana vai atrás.

Luiza – Eduardo, eu adorei os vestidos! Só que eu vim despreparada, na verdade vim apenas acompanhar a Ana, não esperava encontrar tantas roupas bonitas. Por isso, vou ter que voltar amanhã, pois, como viemos direto da aula, eu não trouxe dinheiro...

Eduardo – Sem problemas, gatinha! De qual deles você gostou? Eu separo pra você.

Luiza – Eu... Olha, não precisa separar. É que eu gostei de vários! Se por acaso todos forem vendidos até amanhã, eu peço pra você me sugerir alguns outros. O seu gosto para roupas combinou totalmente com o meu...

Eduardo – Estou às suas ordens...

Ana – Como eu já tinha dito, vou levar esse aqui.

Eduardo – Esse é a sua cara! É pra alguma festa especial? Está querendo atrair todas as atenções, né?

Luiza (irritada) – Paga logo, Ana. Preciso estudar.

Ana – Ah, mudou de ideia? Até cinco segundos atrás você não estava com a mínima pressa...

Eduardo (para Luiza) – Vou te esperar amanhã, tá? Mas vou fazer questão que você vista os vestidos para eu ver... Aposto que você ficou deslumbrante com eles! Ainda mais deslumbrante do que já é!

Luiza - Obrigada... Eu vou voltar amanhã, pode esperar.

Eduardo (para Ana) – Aqui está sua sacola.

Ana – Obrigada. Tchau!

Luiza – Até amanhã, Eduardo!

Eduardo – Até amanhã, gatinha!

As duas saem e Eduardo fica dobrando as roupas com cara de convencido.

Cena 6

Sala de aula

Vários alunos estão chegando. O sinal ainda não bateu.

Davi – Não estou entendendo! Por que a gente tem que sentar aqui hoje? Porque não podemos ficar lá no fundo, como sempre? Esqueceram que tem prova? Aqui na frente vai ser difícil colar!

João Pedro (sussurrando) – Dá pra ficar calado? Desse jeito todo mundo vai perceber que nós mudamos de lugar!

Lucas – Como se ninguém fosse notar!

Davi – Estou falando sério, se não me contar o motivo, vou voltar lá pra trás, para o lugar onde eu pertenço!

Lucas – Concordo com o Davi!

João Pedro – Tudo bem, mas fiquem calados! Eu quero descobrir se a Luiza vai a algum lugar depois da aula. Porque assim eu posso conversar com ela fora daqui. Será que dá pra vocês me ajudarem ou vai ser muito difícil?

Davi – Mas por que você não pode conversar com ela aqui mesmo?

João Pedro – Porque aqui ela nunca vai ter coragem de se declarar!

Lucas – Se declarar? Que história é essa? João, quem tem que se declarar é você!

João Pedro – Shhh! Olha, ela está chegando. Se vocês ficarem calados, prometo que conto um segredo que vocês não sabem.

Os meninos se calam e Luiza e Ana chegam onde costumam se sentar.

Ana – Ué, por que vocês estão sentados aqui? Acham que a professora vai cair nessa?

Até parece que na última semana de aula vocês vão conseguir reverter a imagem de bagunceiros que se empenharam para construir durante o ano inteiro...

Lucas – Estão ouvindo alguém falando? Deve ser uma pessoa muito insignificante, pois eu não estou vendo ninguém...

Professora de matemática (entrando na sala) – Bom dia! Quero ver em cima das mesas apenas lápis, borracha e caneta. Já vou distribuir as provas. Quem terminar pode entregar e ir embora.

Luiza (sussurrando para Ana) – Caso a gente não se veja na saída, vou à sua casa às 15h e de lá a gente vai pro shopping.

Ana – Tudo bem. Mas que desculpa você vai dar pra não comprar nada outra vez?

Lucas – Vocês vão ao shopping hoje à tarde? Que coincidência, eu e o João também vamos!

Ana – Luiza, está escutando alguma coisa? Deve ser alguém muito insignificante, pois eu não estou vendo ninguém!

Professora de matemática – Lucas e Ana, se eu ouvir mais um pio, os dois vão fazer prova na sala da diretora!

Todos ficam calados e começam a fazer a prova.

Cena 7

Entrada do shopping

Ana – Eu não vou entrar na loja com você, não tenho cara pra chegar lá e ver você falar que quer experimentar tudo de novo e novamente não levar nada!

Luiza – Mas eu vou comprar! Deve ter alguma coisa lá que custe vinte reais... Foi o máximo de dinheiro que a minha mãe quis me dar.

Ana – Ah, claro, você deve conseguir comprar uma meia. Aliás, um pé de meia! Luiza, cai na real, essa loja é cara!

Luiza – De qualquer forma, tenho que ir lá pelo menos para dar uma explicação pro Eduardo. Eu fiquei de voltar, lembra?

Ana – Então anda logo. Não quero perder meu sábado inteiro aqui. Eu estava fazendo uma coisa muito importante na minha casa.

Luiza – Ué, mas quando eu cheguei lá você estava apenas xeretando o Facebook dos outros...

Ana – Exatamente!

Elas entram no shopping e se direcionam para a loja.

Cena 8

Porta do shopping

Lucas – João, é claro que esse bilhete anônimo que você recebeu é de alguém querendo zoar com a sua cara! Aposto que foi o Davi que colocou na sua mochila!

João Pedro – É letra de menina! E o Davi não escreveria tão certinho, ele teria cometido no mínimo uns três erros de português!

Lucas – Tá, mas mesmo que tiver sido uma menina, por que você acha que seria exatamente a Luiza?

João Pedro – Porque eu sinto que tem alguma coisa entre nós... Não sei o que é. Desde a primeira vez que eu a vi, percebi que ela era diferente das outras...

Lucas – Não viaja, João. Ela é igual. Tem dois olhos, um nariz, uma boca...

João Pedro – Não adianta conversar com você! Como nunca gostou de ninguém, você não vai me entender!

Lucas – E eu espero não gostar nunca mesmo, se isso significar que eu vou ter que fazer papel de bobo, como você está fazendo!

João Pedro – Como se fosse possível controlar. Quando eu vejo a Luiza, o mundo parece que gira em câmera lenta...

Lucas – Engano seu, o mundo continua na rotação normal, é ela que anda devagar mesmo. Por falar nisso, olha ali!

Os dois avistam as meninas dentro do shopping.

Lucas – Pronto, encontramos. Agora vai lá falar com a Luiza enquanto eu dou um jeito de distrair a chata da Ana.

João Pedro – Mas eu vou falar o quê?

Lucas – Se vira! Você me faz perder o meu sábado pra vir aqui e nem ao menos sabe o que vai dizer? Poxa, antes eu tivesse ficado em casa!

João Pedro – Você não estava fazendo nada em casa! Estava de bobeira olhando o Facebook dos outros!

Lucas – Isso pode ser melhor do que você imagina... Mas chega de papo. Vai logo falar com a Luiza. Resolve isso depressa, assim a gente poder escolher o novo jogo de videogame que você prometeu comprar!

João Pedro – Você só veio comigo pra isso, né? Não foi pra me ajudar coisa nenhuma...

Lucas – Claro que eu vim te ajudar! E inclusive, te ajudei também hoje cedo, quando disse pra Ana que a gente também viria aqui. Desse jeito não vai parecer que estamos seguindo as duas e sim que foi uma coincidência.

João Pedro – Tudo bem, você me convenceu. Vamos antes que elas desapareçam dentro de alguma loja.

Os dois entram no shopping e começam a seguir as meninas.

Cena 9

Porta do shopping

Duda – Davi, você tem certeza de que os meninos vêm aqui? Como você sabe que é nesse shopping e não em outro?

Davi – Eu sei pelo simples fato de que o Lucas me chamou pra vir com eles! O João Pedro quer ver a Luiza e descobriu que ela vinha aqui hoje. Ele está obcecado por essa garota! Mas e você, o que tem pra falar de tão urgente com eles que não pode esperar até segunda-feira? Eu não fui jogar futebol só pra vir encontrar com você. Não que eu esteja reclamando, na verdade é sempre bom te ver...

Duda – Está falando sério?

Davi – Claro! É ótimo encontrar você fora do colégio. Eu sempre te achei simpática, interessante, bonita... e a sua companhia é muito agradável em qualquer lugar.

Duda – Não é isso! Estou perguntando se o João Pedro está vindo aqui só por causa da Luiza!

Davi – Ah... Por que você está tão interessada nessa história do João com a Luiza? Por acaso você...

Duda (cortando) – Não estou interessada em história nenhuma! É só que acho que ele merece coisa melhor! Se estiver realmente a fim dela é um desperdício, a Luiza é tão sem sal... Não tem nada a ver com ele!

Davi – Eu acho que os dois combinam... Eles são tímidos, estudiosos, têm mais ou menos o mesmo tipo físico...

Duda – Isso não quer dizer nada! Nunca ouviu dizer que os opostos se atraem? Agora, anda. Vamos procurá-los depressa! Antes que eles realmente encontrem a Luiza.

Davi – Eu devia ter ido jogar futebol...

Os dois entram no shopping e começam a procurar João Pedro e Lucas.

Cena 10

Shopping

Ana e Luiza chegam na frente da loja de Eduardo.

Ana – Olha, ele está lá dentro.

Luiza – Nossa, ele é mais lindo do que eu me lembrava...

Ana – Vai lá falar com ele.

Luiza – Vamos ao banheiro antes? Quero olhar meu cabelo!

Ana – Seu cabelo está lindo, exatamente como todos os dias. Eu juro!

Luiza – Então vamos beber água? Minha boca está seca, nem vou conseguir conversar direito!

Ana – Ai, Lu... Vamos resolver isso logo! Olha, ele está olhando pra cá. Agora a gente vai ter que entrar, pega mal sair correndo!

Eduardo (se aproximando) – Oi, meninas! Vocês vieram mesmo! Pensei que tinham dito que voltariam aqui hoje só como desculpa. Achei que não tinham gostado das roupas... Ainda bem que eu deixei tudo separado! Como vai ser o pagamento? Dinheiro, cheque, cartão?

Ana – Tem problema se a Luiza experimentar de novo? Acho que ela engordou um pouco, pode ser que hoje as roupas não fiquem tão boas quanto ontem...

Eduardo – Ninguém engorda de um dia pro outro! E eu estou vendo que ela continua tão elegante quanto ontem. Aliás, (para Luiza), que corpo mais lindo você tem... Já pensou em ser modelo?

Luiza – Eu? Mas eu sou baixinha, meus dentes são um pouquinho tortos, tenho uma gordurinha localizada na...

Ana (interrompendo) – A Luiza não sabe lidar com elogios! Mas de qualquer forma, mesmo com o corpo de modelo, ela me disse que queria experimentar algumas roupas de novo, só pra ter certeza. Pode ser?

Eduardo – Claro. Fiquem à vontade, vou buscar.

Ana – Luiza, ficou louca? O cara te elogiando e você esfregando seus defeitos no nariz dele? Se ele te acha bonita, por que fazer de tudo pra ele mudar de ideia?

Luiza – Ai, eu fiquei nervosa! Um monumento desses falando do meu corpo... Acho que você está certa, eu realmente não sei lidar com elogios!

Ana – Você tem que ficar nervosa é pelo fato de experimentar 50 roupas de novo e não ter dinheiro pra comprar nenhuma. Seria bom se além do corpo, você tivesse o cachê de uma modelo também...

Luiza – Vamos ter que encontrar algum pequeno acessório que se encaixe no meu cachê de estudante mesmo...

Eduardo – Aqui estão as roupas. O provador continua no mesmo lugar. Mas você hoje vai dar uma voltinha aqui fora, na medida em que for vestindo, não é? Afinal, não é todo dia que uma modelo em ascensão passa por aqui. Quero um desfile exclusivo, antes que você seja descoberta pelos fotógrafos!

Luiza apenas sorri, sem graça, e se direciona com Ana para o provador.

Cena 11

Shopping

João Pedro – Olha lá, elas estão naquela loja! Acabaram de pegar várias roupas pra experimentar.

Lucas – Tive uma ideia. Vamos entrar também e ficar olhando umas blusas, aí quando elas saírem do provador, a gente já vai estar lá. Assim não vai dar na cara que entramos na loja só por causa delas, vai parecer que nós nem sabíamos que elas estavam lá...

João Pedro – Mas e se a Luiza...

Lucas – Anda, João! Essa é a sua chance!

Os dois entram na loja e uma vendedora vem atendê-los.

Renata – Olá, posso ajudá-los?

Lucas – A gente queria ver umas roupas...

Renata – É para alguma ocasião especial?

Lucas – Sim, é para o João Pedro ver a menina que ele gosta.

João Pedro (dando uma cotovelada em Lucas) - Eu... na verdade a roupa não é pra mim. É pra uma amiga minha. Vou dar de presente de... aniversário.

Renata – Como ela é? Gorda, magra... mais ou menos da minha altura?

João Pedro – Ela é magrinha. E é mais baixa que você. Bem mais baixa. Ela bate aqui no meu ombro.

Renata – Tudo bem, vou pegar umas peças pra você ver. Só um minuto.

Ela se afasta e os dois ficam conversando em um canto da loja.

João Pedro (sussurrando) – Vou te matar! E se a Luiza tivesse escutado lá de dentro?

Lucas – Relaxa! Ela deve estar concentrada se olhando no espelho.

Luiza sai do provador usando um vestido e João Pedro fica hipnotizado.

Eduardo – Viu só? Você conseguiu o que parecia impossível... ficar ainda mais bonita!

Luiza – Obrigada... É o vestido que é lindo. Qualquer pessoa fica bonita com ele...

Renata – Ah, não, te garanto que não é toda garota que fica bonita nele! Você está parecendo uma modelo com esse vestido!

Eduardo – Não falei?

Ana – Ei, você é a vendedora que me atendeu da primeira vez que vim nessa loja. Eu passei aqui ontem pra comprar aquela roupa, mas você estava de folga.

Renata – Ah, que pena que você veio exatamente ontem! Mas fico feliz por você ter comprado. Foi o Edu que te atendeu?

Ana – Sim. E aí a Luiza viu esse vestido e quis voltar aqui hoje, pra buscar... Quer dizer, ela veio experimentar de novo, pra ver se vai querer comprar.

Eduardo – Mas não tem razão pra não querer. O vestido parece que foi feito pra ela!

Renata – Com certeza! Você ficou uma diva!

João Pedro (pensando alto) – Uma princesa...

Renata – Ah, meninos! Desculpem, fui pegar as roupas e acabei me distraindo! Aliás, eu estava exatamente indo buscar o vestido que essa cliente está experimentando pra mostrar pra vocês. O que acham?

Ana – João Pedro? Lucas? O que vocês estão fazendo aqui?

Renata – Vocês se conhecem? Que coincidência!

Luiza – Eu vou me trocar.

Renata – Espera só um minutinho? Esse garoto quer comprar um presente pra uma amiga. E, pelo que ele me disse, ela tem mais ou menos o seu corpo. Será que pode dar uma voltinha, só pra ele ver melhor?

Ana – Melhor não, senão ele pode desmaiar de paixão.

Luiza – Ana!

Eduardo – Ela tem razão, com esse vestido você vai conquistar muitos fãs! Eu mesmo já sou um deles...

Renata – Esse vestido é o último, viu? Se nenhum de vocês levar, com certeza vai ser vendido hoje ainda, pra outra pessoa... Lembre-se que estamos às vésperas do Dia dos Namorados.

João Pedro – Compra, Luiza. Ele ficou lindo em você. Quer dizer, você ficou linda nele. Quer dizer, você é linda de qualquer jeito, mas é que o vestido...

Renata – Nossa, você realmente causou um impacto grande no seu colega... Ele está até gaguejando!

Luiza (sem graça) – Obrigada, João... Eu realmente amei, mas, se tiver gostado, pode levar pra sua amiga. Tenho certeza de que ela vai gostar também. É o vestido mais fofo do mundo...

Eduardo – Mas se você amou, por que não leva? Tenho certeza de que a Renata consegue outra roupa bacana pro seu colega dar pra namorada dele.

João Pedro – Não é pra minha namorada!

Lucas (sussurrando) – Bem que ele queria...

Luiza – Eu... É que eu vou experimentar as outras roupas antes de resolver.

Luiza entra na cabine.

Ana (para Lucas e João Pedro) – Lá vamos nós... Ela vai provar 500 outras roupas, todas vão ficar deslumbrantes, e ela não vai ter dinheiro pra comprar nenhuma.

João Pedro – Ela não tem dinheiro?

Duda e Davi entram na loja.

Duda – O que é isso? Trabalho de grupo? O que metade da nossa sala está fazendo aqui?

Davi – Coincidência, né?

Lucas – Como assim coincidência? Eu não te falei que a gente vinha ao shopping? Você disse que não podia vir junto, pois tinha que jogar futebol...

Davi – Pois é... Mas acabou que foi cancelado, e aí resolvi passear aqui... Acredita que nem me lembrava mais que vocês vinham?

Duda – Eu encontrei com ele por acaso na porta e então perguntei se podia me ajudar a escolher umas roupas.

Renata – Ah, quer olhar umas roupas? É pra alguma ocasião especial? Posso ajudar?

Ana – Vocês teriam alguma roupa de espionagem aí? Porque está na cara que essa aí está seguindo a Luiza, no mínimo pra comprar a mesma roupa, ela não tem personalidade própria!

Duda – Escuta aqui, minha filha...

Davi (segurando Duda) – Na verdade nós vamos à outra loja, né, Dudinha? Essa aqui está muito cheia.

Duda – Não! Quero ficar aqui. O shopping é público, posso entrar na loja que eu quiser! Mesmo nas mal frequentadas...

Eduardo – A nossa loja é muito bem frequentada. Aqui no provador mesmo está uma garota muito bonita, que não fica nada atrás de modelos famosas.

Luiza (saindo da cabine) – Parece que eu ouvi a voz do... Davi. Ei, é você mesmo. E a

Duda também? O que está acontecendo? Por que todo mundo da sala resolveu se encontrar bem aqui?

Eduardo – E então, já experimentou? Vai levar todas as roupas, gatinha?

Luiza – Bem, na verdade...

Eduardo – Já sei. Hoje vai ser só o vestido. Olha, se você quiser, o pagamento pode ser parcelado, aí você aproveita e leva tudo de uma vez!

Duda – Aposto que ela não tem dinheiro pra pagar nada.

Ana – Quem te perguntou alguma coisa?

Renata – Meninas, sem discussões aqui dentro, por favor. Se forem acertar as diferenças, peço que façam isso lá fora.

Ana – Lu, vamos embora? Você volta aqui outro dia pra comprar as roupas. Não é uma boa ideia? Hoje a loja está muito cheia...

Eduardo – Não! Não precisa voltar outro dia... A Renata já está atendendo os outros clientes e eu posso finalizar bem rápido a compra pra você! Vai querer parcelar?

Luiza – Eu...

Duda – Olha lá! Não falei? Aposto que ela não tem dinheiro! Deve ter vindo aqui só pra paquerar o vendedor...

Luiza – Não tem nada disso! Eu vim pra comprar roupas!

Duda – Então por que você está vermelha como um pimentão? E por que você não paga logo, se o problema não é dinheiro?

Eduardo (para Luiza) – Por mim, não precisa ter pressa. De repente você quer olhar mais alguma coisa, talvez um acessório... Ah! Nós temos essa bolsa que combina perfeitamente com o vestido!

Luiza – Obrigada, mas é que...

Duda – Ela esqueceu a carteira em casa. Quer apostar que vai ser essa a desculpa?

Renata (para Duda) – Querida, vamos deixar sua amiga concluir a compra à vontade? Enquanto isso, que tal você me falar exatamente o que está procurando? Temos umas roupas maravilhosas que vão ficar deslumbrantes em você!

Duda – Eu já encontrei o que estou procurando.

Renata – Ah, que maravilha! O que é? Se precisar, temos outros números no estoque. E vocês, meninos? Só vieram pra olhar mesmo?

Lucas – Sim. E já olhamos. Agora nós vamos embora, não é, João?

João Pedro – Na verdade, quero olhar mais um pouco...

Eduardo – Luiza, pode abrir a bolsa para ver lá dentro, fique à vontade. Se quiser experimentar mais alguma coisa... Enquanto isso, vou embrulhando o seu vestido, pra adiantar.

Luiza e Ana se afastam um pouco, fingindo olhar a bolsa.

Ana – Luiza, acho que você vai ter que falar a verdade.

Luiza – Pior é essa Duda agora! Se eu simplesmente disser que não vou querer, ela vai ficar dizendo que eu não tenho dinheiro!

Ana – Luiza, deixa a Duda pra lá! Fala pro Eduardo que você quer pensar mais um pouco. Você não é obrigada a comprar uma roupa só porque experimentou!

Luiza – Experimentei duas vezes, né? A Duda vai insistir que eu vim só pra paquerar! E o Eduardo vai acabar acreditando...

Ana – Mas essa não é a mais pura verdade?

Luiza – A princípio sim... Mas acabei gostando mesmo daquele vestido. Eu me senti tão bem com ele... Sei que o Eduardo falou aqueles elogios todos só pra me convencer a comprar, mas o João Pedro também me elogiou... e me olhou como se realmente estivesse me achando bonita!

Ana – Luiza, o João Pedro te acha bonita até de uniforme! Aliás, lembra ontem, quando eu te contei que...

Duda (se aproximando e interrompendo) – Luiza, você vai querer aquele vestido que provou? Vi você com ele, quando eu estava entrando na loja. É exatamente dele que eu gostei e... eu tenho dinheiro pra comprar, sabe?

Ana – Então compra logo! Pelo menos você vai embora e a gente fique livre da sua presença irritante! Com certeza a Luiza pode encontrar outras roupas que vão ficar lindas nela, ao contrário de você!

Luiza – Mas eu quero o vestido!

Ana (sussurrando) – Deixa de ser tapada, Lu! É a chance de você escapar dessa! E você ainda vai ter a desculpa de voltar aqui depois, pra perguntar se chegou mais daquele modelo!

Luiza (olhando triste pro vestido que Eduardo está dobrando) - Quer dizer, tudo bem, você pode comprar, Duda. Eu não ligo. Afinal, gostei de várias outras roupas aqui...

Eduardo – Aposto que você ficou linda em todas! Mas tem certeza? Você pareceu gostar tanto desse vestido...

Luiza (hesitando) – Eu... tenho certeza, sim. Aliás, acho que vou deixar pra escolher outra depois. Demorei muito experimentando, agora ficou tarde. Depois volto com mais calma...

Duda – Não falei??? Eu tinha certeza de que se eu falasse que ia comprar o vestido, ele iria concordar na hora! Só falei isso pra comprovar minha teoria! A Luiza não tem dinheiro. E quer saber? Agora eu vou mesmo comprar esse vestido. E toda vez que usá-lo, vou lembrar que ela é uma mentirosa.

Luiza – Por que você me odeia tanto, Duda? O que eu fiz pra você?

Renata (sussurrando) – Tá na cara que você roubou o namorado dela! E agora ela quer tirar algo seu, pra descontar.

Luiza – Mas eu não roubei o namorado de ninguém...

João Pedro – Duda, sinto muito, mas eu entrei na loja primeiro. Eu é que vou comprar o vestido.

Lucas – O que? Mas eu pensei que essa história de aniversário de amiga fosse só uma invenção!

Ana – Confesso que eu pensei o mesmo...

Duda – Mas eu não acho justo que ele compre o vestido pra alguém que pode ser que nem goste, sendo que eu já vi e adorei!

Renata (para Duda) – Desculpa, querida, mas ele realmente chegou primeiro. E você nem mesmo o experimentou... Pode ser que não fique tão bem em você.

Ana – Com certeza ficaria apertado.

Duda – Está me chamando de gorda?!

Renata – E então, João Pedro, qual vai ser a forma de pagamento? Cheque ou cartão de crédito?

João Pedro – Dinheiro. Aqui está.

Lucas – Espera aí. Esse não é dinheiro do videogame, né?

Davi – Claro que não, por mais que o João esteja apaixonado pela Luiza, ele não trocaria um jogo de videogame por um presente pra ela...

Luiza – O João está o quê?!

Ana – Deixa ver se eu entendi bem. O João quer comprar o vestido pra Luiza?

Duda – Claro que ele não vai fazer isso!

Luiza – É! Claro que não! De onde vocês tiraram essa ideia? Ana, vamos embora?

João Pedro – O dinheiro é meu e eu faço o que quiser com ele.

Lucas - Ele vai comprar o vestido pra ela...

Renata – Que gracinha! Luiza, a gente não encontra um garoto assim em qualquer lugar, viu? Ai, ai, tá vendo, Eduardo? Quando é que você deixaria de comprar alguma coisa pra me dar um presente?

Eduardo – Ei, eu já fiz isso. No nosso aniversário de um mês de namoro eu lembro que deixei de comer um sanduíche do Mc Donald’s pra comprar um milk-shake pra você!

Renata – Viram só, meninas? Em começo de namoro tudo é lindo. Depois, nem do dia do meu aniversário ele lembra mais!

Luiza – Vocês são namorados?

Eduardo – Sim. Desde os 15 anos. Temos seis anos de namoro!

Luiza – Mas eu pensei...

Duda – Que ele iria se apaixonar por você. Cai na real, Luiza!

Renata – Aqui está o recibo e o seu troco, João Pedro. E olha só! Ainda sobrou o suficiente para um sanduíche e um milk-shake!

Lucas – Olha, foi um engano. Ele não quer o vestido! Pode devolver o dinheiro todo, por favor?

Renata – Depois de emitida a nota fiscal, só é permitido trocar o produto. Não devolvemos o dinheiro.

Davi - Vocês vendem jogos de Playstation aqui?

Duda – Acho que você devia dar esse vestido pra mim! Te garanto que eu daria muito mais valor que a Luiza! Ele não dá a mínima pra você!

Davi (para Duda) – E você dá por acaso?

Duda – Eu... Quer dizer...

Lucas – Já entendi tudo! João, foi a Duda que te mandou o bilhete anônimo! E você gastou o dinheiro só por pensar que tinha sido a Luiza!

Duda – Isso é mentira! Eu não mandei nada! Espera aí... Ele ia comprar o vestido pra Luiza só por achar que ela era a responsável por aquela declaração de amor?

Ana – Que bilhete é esse?

Lucas – Se não foi você, Duda, como sabe que era uma declaração de amor?

Davi (para Duda) – Você mandou uma declaração de amor pro João Pedro? E eu deixei de ir jogar futebol porque pensei que você estivesse me dando mole?

Lucas – Deve ter alguma lei de proteção ao cliente! Nós nem saímos da loja ainda! Vocês têm que devolver o dinheiro!

João Pedro – Fica calado, Lucas! Eu quero o vestido!

Lucas – Mas você não ouviu? A Luiza não está nem aí pra você! Foi a Duda que escreveu aquele bilhete ridículo!

João Pedro – Ela não confirmou isso...

Davi – Responde, Duda! Você que mandou esse bilhete que eles estão falando? Quer dizer que você me enganou só pra eu ficar te contando o que o João Pedro estava fazendo?

Lucas – Por que você está tão interessado, Davi? Até parece que está a fim da Duda...

Duda – E se eu tiver mandado o bilhete? Ninguém tem nada a ver com isso!

Eduardo – Nem sei a história, mas com certeza foi ela...

Renata – Meninos, estou adorando a novelinha, mas que tal vocês discutirem lá fora? Vocês estão assustando os clientes. Têm um rapaz na porta olhando pra cá, acho que ele está meio assustado com a bagunça.

Lucas – A gente só vai embora se você devolver o dinheiro!

Ana (sussurrando pra Luiza) – Vamos embora, Lu.

As duas se direcionam para a saída enquanto os outros continuam conversando exaltadamente.

Cena 12

Shopping

Luiza e Ana passam pela porta da loja, enquanto o homem que estava olhando a vitrine entra. A movimentação continua lá dentro, enquanto as duas conversam do lado de fora.

Ana – Caramba! Que confusão! Mas pelo menos a gente conseguiu escapar sem você ter que explicar o motivo real por não ter comprado o vestido!

Luiza – Você realmente acha que o João Pedro ia comprá-lo pra mim?

Ana – Tenho certeza de que ele comprou pra você! Ele praticamente confessou isso! E ontem, lá na aula, o Lucas já tinha me falado que ele estava apaixonado!

Luiza – Por mim?! Mas ele nunca demonstrou!

Ana – Ele sempre demonstrou! Só falta babar quando você passa! E hoje ele até sentou perto na hora da prova, certamente pra tentar descobrir o que a gente ia fazer mais tarde! Você só não reparou porque estava com o Eduardo na cabeça! E, antes dele, com o tal príncipe dos seus sonhos...

Luiza – Eu devia ter imaginado que o príncipe já teria uma princesa...

Ana – Lu, para com isso de príncipe! É muito melhor gostar de quem também gosta de você! De quem está por perto, de quem está disposto a te agradar, de quem compra um vestido só pra te fazer feliz...

Luiza – Mas eu não sabia que o João Pedro gostava de mim!

Ana – Agora já sabe.

Luiza – Só que eu não tenho interesse nele...

Ana – Você nem deu uma chance pro garoto! Ele é tão bonitinho e gente boa, todo mundo gosta dele... Aliás, tem gente que gosta até demais! Você percebeu que a Duda está louca por ele, né? E ela não é nada boba... Já está lá, toda derretida, convencendo o menino de que ela dá muito mais valor pra ele do que você. Aposto que ela vai sair dessa loja carregando a sacola do seu vestido...

Luiza – Você acha que ele desistiria de mim assim tão fácil?

Ana – É só olhar pela vitrine. Aposto que a Duda deve estar jogando charme pra cima dele... É só uma questão de tempo pra ele sucumbir...

As duas olham pela vitrine e percebem algo diferente lá dentro.

Luiza – Olha lá! Não é aquele cara que entrou quando a gente estava saindo?

Ana – É! Ele já estava olhando pela vitrine há um tempão, lembra?

Luiza – Mas por que ele está sozinho na loja? Onde estão os outros? Eu não vi ninguém saindo... Ei! Aquilo que ele está segurando é um...

Ana – Revólver! Luiza, é um assalto! Ele deve ter obrigado todo mundo a ir para os provadores e está roubando o dinheiro do caixa! Vamos embora depressa, antes que ele perceba que nós vimos e nos faça entrar lá também! Temos que chamar a polícia!

Luiza – Mas se ele sair da loja, a gente não vai saber pra onde ele foi! Faz assim, você chama a polícia e eu fico aqui, para ver pra aonde ele vai, caso fuja!

Ana – Ok! Mas fica meio afastada, não deixe ele te ver!

Ana vai chamar a polícia e Luiza fica observando pela vitrine.

Cena 13

Dentro da loja o ladrão termina de pegar o dinheiro do caixa. Quando ele está guardando no bolso, Lucas coloca o rosto pra fora do provador.

Lucas – Moço? Por favor, deixa só um pouquinho de dinheiro aí... É que o meu amigo comprou um vestido por engano e a gente precisa muito do valor que ele gastou nele! Na hora que você entrou na loja, eu tinha acabado de convencer a vendedora a fazer a troca, o meu amigo já tinha até devolvido o vestido, mas aí você entrou e...

João Pedro (aparecendo) – Lucas, ficou maluco? Esse cara não está de brincadeira!

Assaltante – E não estou mesmo! Voltem os dois agora aí pra dentro senão eu...

Luiza, ao ver que o assaltante está apontando a arma para os meninos, começa a gritar por socorro. O assaltante assusta e pega João Pedro de refém.

Assaltante – Você vem comigo, garoto! E reza pra ninguém me parar, senão quem vai levar a pior é você!

Ele aponta a arma para a cabeça de João Pedro e o vai levando pra fora da loja, com o braço em torno do pescoço dele. Assim que eles saem da loja, Luiza grita mais ainda.

Luiza – Solta o João Pedro! A polícia já está chegando, você vai ser preso!

Assaltante – Vou soltá-lo, sim... Mas só pra te levar no lugar! Uma menininha indefesa com certeza tem muito mais apelo do que um garoto forte! Ninguém vai tentar nada enquanto você estiver nos meus braços! E é melhor você ficar caladinha, se não quiser que eu enfie esse revólver na sua boca!

O assaltante agarra Luiza e solta João Pedro. Por um tempo João Pedro fica meio sem ar, tentando se recuperar, todos saem do provador e se aproximam dele.

Lucas – João, você está bem?

Renata – Você não tinha nada que ter saído do provador enquanto ele ainda estava na loja!

Duda – A culpa foi do Lucas que saiu primeiro! João, fala comigo! Você consegue falar?

Davi – Eu quero a minha mãe!

Lucas – Pra onde será que ele vai levar a Luiza?

João Pedro parece de repente acordar e vê que o assaltante está levando Luiza para longe. (Sugestão: Usar o espaço da plateia para fazer essa cena da fuga do ladrão).

João Pedro – Luiza! Luiza, não se preocupe! Já estou indo!

Duda – Está indo coisa nenhuma! Quem você pensa que é, um super-herói?

João Pedro vai correndo atrás do assaltante ao mesmo tempo em que Ana chega com um policial.

Ana – Onde está o assaltante? Cadê a Luiza?

Davi – O assaltante pegou ela de refém.

Lucas – E o maluco do João Pedro foi atrás!

Eduardo – Eles foram por ali!

O policial corre para alcançá-los. Ana tenta ir atrás, mas Lucas a segura.

Lucas – Eu não vou deixar você se arriscar também! Fica aqui, Ana. O policial vai trazer a Luiza de volta.

Ana – Mas como aconteceu isso? A Luiza estava fora da loja! Eu bem que falei pra ela ir comigo chamar a polícia, mas ela quis ficar aqui vigiando!

Lucas - Calma, Aninha... Vai dar tudo certo!

Ana – Nada vai dar certo! Eu vou ter que ligar pros pais dela, eles vão ter um ataque do coração e eu vou ser a culpada! Aliás, eu já sou a culpada mesmo! Eu devia ter insistido pra Luiza ir comigo!

Lucas – Me dá o telefone, eu ligo pra você. E para de se culpar! Se tem um culpado aqui, sou eu. Por minha causa ele pegou o João de refém. E então a Luiza gritou. E depois...

Davi – Dá pra ligar logo pros pais da Luiza? Eles precisam saber que a filha está correndo perigo!

Lucas e Ana se afastam para telefonar enquanto os outros ficam olhando na direção em que o policial e o assaltante foram.

Cena 14

Shopping

João Pedro está escondido atrás de uma pilastra, quando vê o policial chegando.

João Pedro – Senhor guarda? Está procurando o assaltante? É aquele ali, de mochila preta nas costas, em frente à joalheria. Acho que ele está planejando assaltar lá agora, porque ele ficou um tempo olhando a vitrine da outra loja também, deve ficar esperando o melhor momento. A menina que ele está segurando é a Luiza, ela não é cúmplice e sim uma refém! Ele está com um revólver na cintura e ameaçou matá-la se ela não ficasse quieta e calada.

Policial – Obrigado, garoto. Já sabia que ele estava com uma refém. Tenho que livrá-la sem assustá-lo, pois se ele se sentir ameaçado, pode descontar na sua amiga. Já pedi reforços, mas meus colegas ainda não chegaram. Para desarmá-lo é melhor que uma pessoa o distraia pela frente, enquanto outra o captura por trás.

João Pedro – Eu te ajudo, não dá pra esperar! Olha a cara da Luiza, coitadinha! Está morrendo de medo! Vai começar a chorar a qualquer minuto e ele vai ficar bravo com isso!

Policial – De jeito nenhum! Você é só um menino! Esse é um trabalho para profissionais, do contrário você também vai acabar ameaçado!

João Pedro – Eu não importo se ele me matar. Só quero salvar a Luiza! Eu distraio e você o segura!

João Pedro sai correndo antes que o policial responda, para na frente do assaltante e começa a declamar versinhos.

João Pedro: “Uni, duni, tê, salamê, minguê, um sorvete colorê, o escolhido foi você!”

Assaltante: Mas o que é isso?

Luiza: João Pedro?!

João Pedro: “Bambalalão, senhor capitão, espada na cinta e cinete na mão. Rei, capitão, soldado, ladrão, moça bonita do meu coração!”

Assaltante: Ficou louco, menino? Se você não sair daqui agora, eu...

João Pedro: “Batatinha quando nasce se esparrama pelo chão. Mamãezinha quando dorme, põe a mão no coração.”

Assaltante: Está errado! Batata não esparrama pelo chão! O certo é: “Batatinha quando nasce, espalha as ramas pelo chão!”. Sua professora não te ensinou isso?

O policial aproveita a distração do assaltante e o agarra por trás. Ele solta Luiza com força, pra pegar a arma, e Luiza escorrega. João Pedro a segura antes dela cair.

João Pedro – Te peguei! Agora corre daqui, vou ajudar o guarda!

Luiza – Não, João Pedro! Ele é perigoso!

O policial, dando uma gravata no pescoço do ladrão, tenta tomar a arma. O assaltante levanta o braço que está com o revólver, mas no minuto em que coloca o dedo no gatilho, João Pedro chega e começa a fazer cosquinha nele. Várias pessoas gritam, mas o ladrão acaba se contorcendo de cócegas, e o policial consegue pegar arma. Em seguida, prende o ladrão com algemas.

Policial – Ficou louco, menino? Nunca mais faça isso!

João Pedro – Mas deu certo!

Policial – Ele podia ter te matado!

Assaltante – Não podia. O revólver é de espoleta...

João Pedro e policial – O quê?!

O policial testa e confirma que realmente é de brinquedo.

Assaltante – Eu só queria dar um presente pra minha namorada. O Dia dos Namorados está chegando e eu não tinha dinheiro!

Policial – E precisava roubar? Agora sua namorada vai ter que te visitar na cadeia!

O assaltante continua resmungando enquanto o policial o leva para fora do shopping.

Cena 15

Shopping

João Pedro (se aproximando de Luiza) – Você está bem? Eu fiquei tão preocupado...

Luiza – Estou, graças a você! João, eu nem tenho palavras pra...

Mãe de Luiza (chegando correndo) – Filhinha! Você está bem?

Pai de Luiza – O que o ladrão fez com você? Ele te machucou?

Luiza – Ele não fez nada. Ele só me usou de escudo, pra ninguém fazer nada com ele. Mas o João Pedro e o guarda conseguiram me livrar.

Ana e Lucas chegam correndo.

Lucas – Eles estão vivos!

Ana – Luiza, você está bem?

Luiza – Eu estou ótima... Mas será que a gente pode ir pra casa agora? Daqui a pouco eu vou começar a ficar mal, de tanto me perguntarem se eu estou bem!

Pai de Luiza – Sim, vamos embora! Nunca mais você vai vir nesse shopping!

Luiza – Ai, pai! Não exagera! Não aconteceu nada! E o pobre assaltante só queria ser romântico, coitado...

Ana – Tchau, Lucas. Eu vou pra casa da Luiza. Eu queria te... agradecer pela ajuda. Muito obrigada por ter ligado para os pais da Luiza. E por ter me acalmado também.

Lucas – Que isso, Ana... Não tem que agradecer.

Ana – A gente conversa pelo Facebook, tá?

Luiza e Ana se despedem dos colegas e se afastam com os pais de Luiza.

João Pedro (para Lucas): Estou começando a entender porque você passa tanto tempo no Facebook...

Lucas (rindo e empurrando João Pedro) – Não enche!

João Pedro – E o Davi e a Duda?

Lucas - A Duda foi embora depois que percebeu que você saiu correndo atrás da Luiza mesmo sabendo que o bilhete anônimo tinha sido mandado por ela.

João Pedro – Depois vou chamá-la pra conversar. Eu queria gostar dela, mas não dá pra mandar no coração...

Lucas – Nem se preocupe! O Davi foi atrás. E, pelo visto, estava superdisposto a consolar a menina... Até esqueceu o futebol.

João Pedro – Ei, por falar em jogo, topa ir lá pra casa jogar uma partida de Play?

Lucas – Demorou!

Cena final

Sala de aula

Todos os alunos estão em volta de Luiza, para saber sobre o assalto.

Luiza – ... mas no final das contas, tudo deu certo, graças ao João Pedro!

João Pedro – É mentira dela! Eu não fiz nada...

Luiza – Fez, sim! Se ele não tivesse distraído o ladrão, o policial não teria conseguido dominá-lo! E foi o João também que me segurou, era pra eu ter caído no chão com toda força na hora que o ladrão me soltou...

Lucas (para João Pedro) – Acabou virando mesmo um herói, hein? Mas vê se não inventa de voar! Você não tem nada de super!

João Pedro – É, mas quem conquistou a mocinha acabou sendo você... Percebi muito bem os olhares que você e a Ana estão trocando! Eu sabia que aquela implicância toda entre vocês era sinal de amor!

Lucas – É, acho que a gente está se entendendo pela internet... Agora só falta passar do mundo virtual pro real. Por falar nisso, será que você se importa de trocar de lugar com ela?

João Pedro – Claro que não. Acho até bom, assim tenho chance de falar com a Luiza. No meio dessa gente toda está um pouco difícil...

A professora entra na sala e os alunos começam a se sentar.

João Pedro – Luiza, posso sentar do seu lado hoje?

Luiza – Claro, João.

Professora de matemática – Atenção, silêncio! Sei que essa agitação toda é porque alguns dos seus colegas presenciaram o assalto do shopping, mas quero que tentem se controlar! É normal ter curiosidade, mas vocês vão ter que esperar até o horário do recreio pra conversar com eles!

A professora se vira para passar uma matéria no quadro.

Luiza – João, eu queria te agradecer de novo... Você pode achar que fez pouco, mas te ver naquele momento, ainda sentindo o revólver apontado pra mim, foi a melhor visão que eu já tive na vida. Eu pensei que aquele ladrão fosse me matar. E quando te vi correndo em direção a ele, nem acreditei... Você me salvou!

João Pedro – Eu não podia te deixar lá! Eu não ia suportar se ele fizesse alguma coisa com você. Ainda bem que deu tudo certo... Quer dizer, quase tudo.

Luiza – O que deu errado?

João Pedro – Eu acabei ficando sem o vestido. Voltei lá pra comprar depois, mas já tinha sido vendido. Eu queria tanto ter te dado de presente...

Luiza – Não precisa! Eu acabei ganhando algo muito melhor...

João Pedro – O que?

Luiza - Você.

Ele sorri para ela, e os dois se beijam. Todos os alunos da sala comemoram, menos Duda, que fecha a cara.

Professora de matemática – Mas o que é isso? Não sabem que é proibido namorar na sala de aula? Estão pensando que só porque hoje é Dia dos Namorados a regra mudou? Luiza e João Pedro, esse é o primeiro e último aviso: Da próxima vez que eu pegar algo assim, mando os dois pra diretoria!

João Pedro e Luiza sorriem um para o outro e, assim que a professora se vira, eles entrelaçam as mãos por baixo da mesa. Duda cruza os braços e dá um suspiro.

Davi – Ficou triste, Dudinha?

Duda – Estou é revoltada! Por que todo mundo pode ter um final feliz, menos eu?

Davi (tirando um embrulho da mochila) – Quem sabe isso aqui pode te alegrar?

Ela abre o embrulho e vê o vestido que Luiza tinha experimentado na loja.

Duda – Você comprou aquele vestido? Pra mim?

Davi – Apesar de saber que você o queria apenas pra irritar a Luiza, tenho certeza de que ele vai ficar muito mais bonito em você do que nela. E aí pensei que você poderia gostar...

Duda agarra Davi e dá um beijo nele. Depois do beijo, Davi se afasta um pouco e sorri.

Davi – É, eu acho que você gostou...

Eles se beijam de novo e a sala inteira aplaude.

Professora de matemática – Mas o que é isso? Eu não falei que isso é proibido em sala de aula? O que houve por aqui, o Cupido flechou todos vocês? Vou dar um minuto pra vocês se acalmaram! Se alguém mais for se declarar, que faça isso agora, ou cale-se para sempre!

Lucas – Ana, eu estava pensando...

Ana – Não dá tempo de pensar em um minuto!

Lucas – Mas eu queria...

Ela o cala com um beijo. A sala inteira bate palmas. Inclusive a professora de matemática.

FIM

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