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O aprendizado que vem do palco

Publicado em: Guia da Boa Escola
Data de publicação: 09/09/2013

Acesse em: http://www.guiasdeeducacao.com.br/boaescola/144/o-aprendizado-que-vem-do-palco

Teatro é usado nas escolas não só para enriquecer culturalmente o currículo, mas também para ajudar os alunos a driblar a timidez, trabalhar em grupo e defender as próprias ideias 

Leonardo Fuhrmann

 

Para explicar a importância do teatro para o ensino em um tradicional colégio localizado na avenida Paulista, o diretor teatral e professor Tuna Serzedello apela para a história. Ele lembra que os jesuítas, congregação religiosa à qual a escola pertence, usaram o teatro para catequizar os índios. “Com todas as ressalvas que a gente pode fazer hoje ao processo de conversão religiosa dos índios, é interessante lembrar que o jesuíta José de Anchieta foi o primeiro diretor e dramaturgo do Brasil de que se tem notícia”, diz. 

 

Para Serzedello, o teatro acaba se tornando uma ferramenta de linguagem importante na formação de líderes, pois ajuda os alunos a exporem suas ideias com mais segurança, compartilhar experiências e defender causas. “Se pensarmos no diálogo como base da cidadania, esta formação se torna um instrumento importante”, diz. Ele também acredita que o teatro pode ajudar os alunos a desenvolver o respeito às ideias do outro, a capacidade de lidar com os problemas humanos e com as próprias falhas, além de provocar debates sobre os limites entre o público e o privado e a contribuição individual e coletiva.

 

Dentro do colégio, o diretor trabalha com mais quatro professores de teatro, em aulas dadas no contraturno. Ao todo, são quase mil alunos até o ensino médio que cursam a disciplina. Os alunos aprendem mais sobre as características do texto teatral, as técnicas de encenação e a linguagem da dramaturgia, e as relações dos textos com a época da história em que foram produzidos. Os grupos de teatro da escola se apresentam nas bienais de artes dos colégios jesuítas e em mostras estudantis. Os textos são produzidos especialmente para as encenações dos estudantes ou são clássicos da literatura dramatúrgica universal. 

 

Mais do que ensinar as técnicas do teatro, os professores também indicam espetáculos e levam os estudantes para assistir a peças relevantes que estão em cartaz, para ajudá-los a participar da vida cultural da cidade e a sensibilizá-los para temas humanos, sociais e artísticos. “É interessante ver que os alunos do teatro assumem o protagonismo também em outras áreas dentro da vida escolar”, diz Serzedello.

 

A partir de um fórum em 2006 do qual participou ao lado do Conselho Britânico, da Cultura Inglesa e do teatro-escola Célia Helena, o colégio trouxe para o Brasil o projeto Connections, desenvolvido inicialmente no National Theatre de Londres. A primeira edição brasileira foi realizada em 2007 e o evento anual reúne grupos de diversas escolas particulares, públicas e grupos amadores de teatro jovem do país inteiro. “O texto dramático faz parte do currículo das escolas na Inglaterra e lá eles constataram que havia bons textos para um público infantil e adulto, mas não existia o mesmo cuidado com temas e personagens adolescentes, com idades entre 12 e 19 anos”, conta o diretor. Com uma constatação parecida sobre a realidade brasileira, eles decidiram criar uma parceria para trazer o programa para o Brasil.

 

Atualmente, fazem parte do projeto Conexões a cada ano em torno de 15 a 20 grupos, que reúnem em torno de 700 adolescentes e jovens. São organizados workshops com profissionais do Célia Helena e são apresentadas versões exclusivas de textos de autores do Connections inglês. Autores brasileiros também são convidados para escrever textos para o público adolescente para participar da mostra. Os dramaturgos Luís Alberto de Abreu, Claudia Schapira, Leonardo Moreira, Marcelo Rubens Paiva, Newton Moreno, Samir Yazbek, Bosco Brasil, Sérgio Roveri e Mário Viana e o jornalista Caco Barcellos são alguns dos escritores de renome que fizeram textos para o Conexões e participaram de debates com os alunos que encenaram suas obras....”