loading
01/07

Estudantes e autores se reúnem e mostram que as atividades de dramaturgia têm alcance bem maior que o de apenas produzir a montagem de peças

Publicado em: Revista Educação
Data de publicação: 01/07/2007

Na Escola Estadual David Zeiger, no extremo sul da cidade de São Paulo, um pequeno grupo de alunos se reúne todas as segundas e quartas-feiras em uma sala de aula, afasta as carteiras e começa a ensaiar pequenos esquetes de teatro. Para esses jovens, a atividade não é apenas um passatempo, mas uma oportunidade de vencer pequenas batalhas e, quem sabe, seguir uma carreira. O teatro chegou até lá graças a uma ONG que incentivou a criação do grupo, hoje mantido por uma professora. "Fazer teatro me transformou completamente, antes eu era uma pessoa muito fechada, muito tímida. Quando penso em teatro hoje, penso em conhecimento", conta Suevelin dos Santos, 15 anos, aluna do 2o ano do ensino médio.

No último fim de semana de maio, Suevelin e seus colegas atravessaram São Paulo até o Colégio São Luís, na Avenida Paulista, para participar de um workshop de teatro promovido pelo Projeto Conexões, iniciativa do National Theatre de Londres, há 13 anos presente em diversos países com o fito de incentivar a montagem de peças pelos jovens e para os jovens. Na edição inglesa deste ano, mais de 300 grupos participaram do projeto. Em São Paulo, foram discutidas quatro peças, duas escritas pelos autores britânicos Judith Johnson e David Farr e duas inéditas, redigidas especialmente para o público brasileiro pelo jornalista Caco Barcellos e pelo escritor Marcelo Rubens Paiva. Nove grupos totalizando 120 jovens de escolas públicas e particulares e de companhias amadoras de teatro dividiram-se para discutir os textos com os autores e dar início à divisão de papéis e aos ensaios. A previsão é de que as peças estréiem em novembro deste ano.

 

 

Se o grupo de teatro na escola de Suevelin é exceção nas escolas públicas, mantido na base da boa vontade, na terra de William Shakespeare o teatro está na grade curricular da maioria das escolas desde a 5ª série. Quando não há a disciplina curricular, o aluno pode freqüentar os muitos cursos oferecidos fora do espaço escolar. "Nos colégios britânicos, o teatro é importante em muitos sentidos: ajuda nas questões de relacionamento, na capacidade crítica, na habilidade de lidar com os problemas", explica a autora Judith.

Estímulo extra 

Em São Paulo, algumas escolas particulares oferecem aulas de teatro como atividade extracurricular, com espaço próprio e um calendário cheio. No Colégio São Luís, por exemplo, cerca de 700 alunos, de um total de 2.200, freqüentam as aulas de teatro. Para o coordenador do curso, Tuna Serzedello, os resultados ultrapassam a experiência do palco e contribuem para uma sociedade baseada no diálogo. "O aluno que faz teatro acaba se envolvendo também em outras atividades na escola, como o grêmio, a rádio e trabalhos de voluntariado", diz.

Para David Farr, o outro autor britânico no workshop, o sentido de coletividade do teatro é peça fundamental na educação - em um grau tão importante quanto a leitura, que, afinal, é uma experiência solitária. "Para uma audiência de jovens, o teatro é a melhor maneira de discutir política", afirma. Antes do encontro com os grupos, ele visitou alguns dos locais onde eles se formaram, boa parte em áreas da periferia de São Paulo. ....”